sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

EUROPA


1.  Vai realizar-se em Coimbra, com entrada livre,  um Colóquio sobre a Europa,  amanhã, dia 1 de fevereiro de 2014 (sábado), na Casa Municipal da Cultura de Coimbra, promovido pelo “CLUBE MANIFESTO PARA UMA RENOVAÇÃO SOCIALISTA” , subordinado ao tema:
 “Europa – miragem ou horizonte?”.
O Colóquio desdobra-se em três sessões:
1ª Sessão - 10 h e 30 m
- Os trabalhadores e a Europa.
Oradores:
Carlos SilvaSecretário-Geral da UGT
A. Casimiro FerreiraProfessor da FEUC, Investigador do CES/UC e Clube Manifesto
Moderador: Nuno Filipe - Pres. do Gabinete de Estudos da Fed. de Coimbra do PS,  ex- Deputado e Clube Manifesto
2ª Sessão – 14 h e 30 m
- A economia social e a construção europeia.
Oradores:
Maria de Belém Roseira – Presidente do Partido Socialista e Deputada.
Rui Namorado- Membro do Conselho Nacional para a Economia Social, ex-Deputado e Clube Manifesto
Moderador : Manuel Ferreira- ex- Presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Presidente da Cooperativa NAVE e Clube Manifesto
3ª Sessão – 16 h e 30 m
-A Europa em tempo de crise
Oradores:
José Medeiros Ferreira – Membro do Conselho Geral da Universidade de Lisboa, Professor Universitário, ex-Ministro, ex-Deputado Europeu e ex-Deputado.
Luís Marinho – Presidente da Assembleia Municipal de Coimbra, ex-Deputado Europeu, ex-deputado e Clube Manifesto.

Moderador: Jorge Strecht Ribeiro – Advogado, ex-Deputado e Clube Manifesto.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

POLÍTICA BRASILEIRA



Este texto de Wanderley Guilherme dos Santos pode ler-se na página da revista brasileira CartaCapital, onde foi colocado no dia 28/01/2014, tendo sido publicado originalmente com o título Vem pra rua você também, na edição 783 da referida revista .
O título pelo qual está identificado é sugestivo: “Como o PT ajudou o PSDB a virar à direita”. A frase que se lhe segue anuncia o sentido do texto: “O PT se mudou para o centro, distendeu-o, e tornou praticamente inviável a existência de uma coalizão de centro-esquerda.”

 A importância do que se tem passado no BRASIL, desde o início do primeiro mandato presidencial de Lula, ao qual a Presidente Dilma tem vindo a dar sequência, é notória. Para o nosso país e, em especial,  para as nossas esquerdas essa importância é acrescida. Por isso, achei que devia transcrever neste blog  o que escreveu sobre a conjuntura política brasileira um intelectual e académico tão relevante, tão reputado e tão merecedor de atenção como é o caso de Wanderley Guilherme dos Santos.

Eis o texto:

“O PSDB não chegou à direita pelas próprias pernas. Teve a ajuda do Partido dos Trabalhadores (PT), que se mudou para o centro, distendeu-o, e tornou praticamente inviável a existência de uma coalizão de centro-esquerda. Aécio Neves nunca foi reformista, mas julgá-lo um direitista genético é exercício de ativista dogmático. O centro distendido sob hegemonia do PT empurrou a oposição para a vizinhança da extrema-direita, precipitando a derrota intestina de José Serra, agarrado a um reacionarismo impensável em quem discursou no comício da Central do Brasil, em 13 de março de 1964.

À oposição restam bandeiras pragmaticamente vazias, tais como a encenada indignação moral e acenos genéricos de eficiência. Sem falar no reacionarismo religioso e na defesa de um livre-mercadismo de fachada. Como é notório, só com brutal intervenção do Estado um governo de centro-direita será capaz de subverter a legislação petrolífera, os programas Mais Médicos e Minha Casa Minha Vida. Mesmo para fazê-los definhar, um governo de centro-direita precisará de boa dose de coação sobre uma burocracia estatal comprometida com o progresso, ademais de extrair enorme boa vontade do Congresso Nacional.
Esse mesmo Congresso, aviltado pela imprensa conservadora e pela esquerda caolha, foi a instituição que aprovou o regime de partilha do pré-sal, ainda no governo Lula, e tem apoiado as principais políticas sociais do governo Dilma Rousseff. Uma política de liberalismo desenfreado só será possível com a transformação do Estado brasileiro em variante do bismarckismo alemão. O avesso do que o eleitorado conservador deseja.
O centro estendido do PT também trouxe dificuldades para o campo progressista. A mais óbvia transparece na acusação de reacionarismo a qualquer opinião divergente, autônoma em relação à cadeia de comando dos líderes do centro-baleia, a começar pelas palavras de ordem do Partido dos Trabalhadores. Embutida na interdição esconde-se menor probabilidade de que deficiências reais de governança sejam proclamadas por aliados. Avanços sociais estão conectados a manifestações de inconformismo, sem automática identificação com a oposição do momento. Durante os governos Vargas e JK sucederam-se greves e passeatas a favor de políticas nacionalistas e de críticas a medidas específicas. As manifestações não atendiam a nenhuma convocação da direita, do tipo “Vem pra rua você também”, que atualmente apavora a esquerda e o governo. O governo opera com déficit de crítica consistente.
Reflexo do ambiente intoxicado, o sindicalismo operário emudeceu. Limitado a manifestos plenos de estereótipos, copia a genérica pauta direitista – ensino público de qualidade (nunca haverá suficiente, o conhecimento progride), saúde pública, transporte, moradia, segurança. Elegibilidade para os analfabetos, que é bom, nada; participação dos trabalhadores na administração das grandes corporações, nem pensar. Não mais do que dois exemplos de uma pauta latente, ausente da cogitação sindical. Os sindicatos não se recuperaram do choque de haver perdido o controle das ruas. Reescrever ideologicamente a história de junho de 2013 não garante a recuperação de iniciativa crível, seja por decreto, seja por currículo de glórias passadas.

Outra consequência da consolidação do centro expandido foi a instauração de um vazio institucional à esquerda, vicariamente ocupada por aglomerado de grupos heterogêneos. A coalizão parlamentar do governo tornou irrelevante o apoio da centro-esquerda. Sem considerar o PMDB, cuja análise não é simples, a coalizão do PT tem como coligados numéricos o PP/PROS, o PSD, o PR/PTdoB/PRP, seguidos, até recentemente, pelo PSB, em parte pelo PDT e pelo PCdoB. O total de cadeiras desse último grupo (PSB, PDT e PCdoB) não passava de 56. Só o PP, o PR e o PROS detêm um conjunto de 89 cadeiras na Câmara dos Deputados. A cooperação costurada entre os partidos deixou o PT a vários passos de distância de seu parceiro ideológico adjacente, o PSB (24 cadeiras). O rumo do governo é vigiado pelo núcleo duro da centro-direita.
Independente dos motivos do governador Eduardo Campos, cujas alianças provocam resistências entre os socialistas, a saída do PSB do governo só surpreende pelo tempo que demorou a acontecer. Para um partido que busca crescer nas eleições proporcionais pela via ideológica da centro-esquerda, talvez a oportunidade tenha sido perdida. A tentativa de enfiar uma cunha entre o centro expandido do PT e o PSDB sofre das dificuldades diante da coalizão no poder e da incoerência ao aceitar o direitismo do Rede como segundo em comando (e há quem duvide que o Rede seja mesmo o segundo em comando) além das oscilações na conduta do candidato Eduardo Campos.
O vazio à esquerda tem sido ocupado por grupos inconformados com o estado do mundo, em geral. Desde logo, esse burburinho nada tem a ver com os “precariados” de Guy Standing (The Precariat – London, Bloomsbury, 2011), tese recém-importada. Ao contrário de desempregados, trabalhadores temporários, classe média empobrecida e com miséria à vista, os manifestantes de junho de 2013 eram na maioria jovens de classe média ou empregados com salários acima de dois salários mínimos (30,3% deles em 20 de junho de 2013, no Rio de Janeiro, segundo a Plus Marketing consultoria) e segmentos em processo de ascensão social. Outras pesquisas registraram o nível superior de estudos de expressivo número de participantes. Economicamente, o elevado custo do meio utilizado para a mobilização – as redes sociais eletrônicas – exclui os presumidos “precariados” da frequência a participações. Vale registrar que, ao contrário da Europa, à intensidade das manifestações seguiu-se a rapidez de sua dissolução em números de manifestações, de participantes e de cidades contagiadas.

Além do equívoco da classificação de “precariados”, é simplismo considerar que uma convocação fascista obteria tamanho sucesso. Houve a infiltração fascistoide posterior, que terminou por se apropriar da liderança dos acontecimentos. A fragilidade estratégica desses aglomerados, contudo, revelou-se na velocidade com que os grupos de professores, enfermeiras, a maioria de funcionários públicos, foram abandonando as marchas. Reconhecer as diferenças entre os movimentos de 2013 e os movimentos europeus permite supor que as manifestações não aderiram, aqui, ao precipitado diagnóstico de fracasso da social democracia brasileira.
A rejeição atingia todas as formas de participação institucionalizada. O que havia e há é um vácuo desde que a marcha para o centro levou o governo a esconder sob inegáveis vitórias econômicas a pauta de modernização do pluralismo social brasileiro: aborto assistido, relações homoafetivas, regulamentação do uso de drogas recreativas, pesquisas com seres vivos, temas, entre outros, eliminados por imposição da direita do centro. A Presidência tornou-se forte parlamentarmente ao preço de se enfraquecer perante a sociedade em mudança.
Algo de novo existe. Trata-se de inédito tipo de intervenção política. Grosso modo, a análise do capitalismo toma por base as classes, as corporações profissionais e cristalizados grupos de interesse. Entendo que os movimentos recentes são constituídos pelo ajuntamento de atores menos abrangentes do que as classificações preponderantes. Eles proliferam como pequenas coletividades de exígua tolerância e com exigentes critérios de pertencimento. Denomino-os, sem ofensa, de “micróbios” (pequena vida), primeiro em razão de seu tamanho, e pelo fato de que não possuem denominador comum. Nem todos são patogênicos ou letais, que os há benéficos ao exercício da democracia.
Nessa ecologia há lugar para microlegendas, como o PSTU e o PSOL, que encontram em tal cenário a rara oportunidade de serem notados. Comparecem também os grupos nanicos reivindicando direitos (moradores do bairro tal ou qual) ou só comemorando a própria existência, avessos a partidos, sindicatos ou corporações de ofício. São erupções intensas de vida política, mas de curta duração. Eficazes no curto prazo, sem influência em período mais extenso. Eleições são fenômenos de curto prazo, mas o fenômeno dos “micróbios” não é só eleitoralmente relevante. É uma criação da sociedade contemporânea e, portanto, compatível com a convocatória: “Vem pra rua você também”. Os democratas deviam adotá-la e voltar às ruas para conquistá-las.”




quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

EUROPA - miragem ou horizonte?



1.  O  “CLUBE MANIFESTO PARA UMA RENOVAÇÃO SOCIALISTA” vai promover em Coimbra  um Colóquio sobre a Europa,  no próximo dia 1 de fevereiro de 2014 (sábado), na Casa Municipal da Cultura de Coimbra. 
Colóquio será subordinado ao tema:
 “Europa – miragem ou horizonte?”.
[A entrada é livre]

O Colóquio vai desdobrar-se em três sessões:
[1 de fevereiro de 2014 (sábado)] 
1ª Sessão - 10 h e 30 m
- Os trabalhadores e a Europa.
Oradores:
Carlos Silva – Secretário-Geral da UGT
A. Casimiro Ferreira – Professor da FEUC, Investigador do CES/UC e Clube Manifesto
Moderador: Nuno Filipe - Pres. do Gabinete de Estudos da Fed. de Coimbra do PS,  ex- Deputado e Clube Manifesto

2ª Sessão – 14 h e 30 m
- A economia social e a construção europeia.
Oradores:
Maria de Belém Roseira – Presidente do Partido Socialista e Deputada.
Rui Namorado- Membro do Conselho Nacional para a Economia Social, ex-Deputado e Clube Manifesto
Moderador : Manuel Ferreira- ex- Presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Presidente da Cooperativa NAVE e Clube Manifesto

3ª Sessão – 16 h e 30 m
-A Europa em tempo de crise
Oradores:
José Medeiros Ferreira – Membro do Conselho Geral da Universidade de Lisboa, Professor Universitário, ex-Ministro, ex-Deputado Europeu e ex-Deputado.
Luís Marinho – Presidente da Assembleia Municipal de Coimbra, ex-Deputado Europeu, ex-deputado e Clube Manifesto.
Moderador: Jorge Strecht Ribeiro – Advogado, ex-Deputado e Clube Manifesto.

2. Seria redundante destacar a importância do debate sobre a Europa numa conjuntura como a que temos vindo a atravessar. A proximidade das eleições europeias torna ainda mais relevante o tema em questão.
Queremos um debate vivo que contribua para agitar realmente as águas mortas em que a questão europeia tem vivido entre nós. 

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

PÓS-GRADUAÇÃO EM ECONOMIA SOCIAL


1. Na Universidade de Coimbra, por intermédio da sua Faculdade de Economia, vai decorrer, durante o 2º semestre deste ano letivo, a 5ª edição de um curso que confere um Diploma de Pós-Graduação em “Economia Social – Cooperativismo, Mutualismo e Solidariedade”. Conta com o patrocínio do Montepio e é  responsável por ela, em conjunto com a própria Faculdade, o Centro de Estudos Cooperativos e da Economia Social da FEUC (CECES/FEUC).


2. A esta Pós-Graduação têm acesso, fundamentalmente, titulares de uma licenciatura, mas podem ser admitidos também candidatos que, não preenchendo esse requisito, tenham uma experiência profissional relevante, em qualquer organização da economia social; para isso, 20% do total das vagas existentes serão prioritariamente destinadas a esse tipo de candidatos.

3. Para além de conferências sobre diversos aspetos da economia social e de narrativas de experiências vividas por protagonistas de organizações da economia social, o programa compreende três unidades curriculares,  desdobradas nos módulos temáticos abaixo mencionados, pelos quais são responsáveis os professores da FEUC e membros do CECES  indicados:

Unidade Curricular 1: Enquadramento jurídico-político da economia social

       Introdução à economia social – cooperativismo, mutualismo e solidariedade, Prof. Doutor Rui Namorado [8 h].
       Direito cooperativo e da economia social, Prof. Doutor Rui Namorado [8 h]
       Constituição e organização das entidades da economia social, Profª. Doutora Maria Elisabete Ramos [4 h].
       Aproximação ao sistema de normalização contabilística das entidades sem fins lucrativos, Profª. Doutora Ana Maria Rodrigues [4 h].

Unidade Curricular 2: Perspetivas quanto à gestão das organizações da economia social

       Fundamentos da gestão das organizações da economia social, Profª. Doutora Teresa Carla Oliveira [8 h]
       Empresas e sociedade: da ética à responsabilidade social, Prof. Doutor Filipe Almeida [8h]
       Gestão da qualidade nas organizações da economia social, Prof.ª Doutora Patrícia Moura e Sá [8h]

Unidade Curricular 3: Economia, Sociedade e Desenvolvimento Local

       Empreendedorismo social, políticas e mudança social, Profª. Doutora Sílvia Ferreira [8h].
       O desenvolvimento local como estratégia, Dr. Bernardo Campos [8 h]
       O Estado, as parcerias, as redes e a economia social, Prof. Doutor João Pedroso [4 h].
       A economia social e a criação de emprego: uma perspetiva económica, Profª. Doutora Margarida Antunes [4 h]


5. Agradecemos a divulgação da existência desta  Pós-Graduação, junto de possíveis interessados.

As candidaturas serão feitas online, até  21 de Janeiro de 2014, no site: https://www.uc.pt/go/candidaturas . Mais informações poderão ser obtidas através do site www.uc.pt/candidatos .

Poderá encontrar mais informações na página Web da Pós-Graduação, em www.uc.pt/feuc/diplomas/PGEconomiaSocial/.


Podem ser feitos contactos através de : 1) email : candidaturas@uc.pt ; 2) telefone: 239859900 → de seguida marque 3 → de seguida marque 1.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

FELIZ ANO DE 2014


 
Feliz Ano de 2014


O tempo que aí vem é uma águia
há muito proibida de voar.
 
Os meses que o transportam são de cinza,
cansados pelos sonhos que os deixaram.
 
Não fiquemos cercados, aflitos,
numa prece de angústia desmaiada.

Saibamos ser o vento imaginado
que de novo liberta o que há de vir

e nos faça colher com um só gesto
o que foi duramente semeado.

[ Rui  Namorado]